Real Clube do Vinho

Florianópolis-SC

 

 

UVAS TINTAS

 

Cabernet Sauvignon

 

Cabernet Sauvignon é uma casta de uvas da família da Vitis vinifera, a partir da qual é fabricado vinho de alta qualidade. Originária da região de Bordeaux, no sudoeste da França, ela é a uva vinífera mais difundida no mundo, encontrando-se em todas as zonas temperadas e quentes.

 

A Cabernet Sauvignon é tida como a "Rainha das Uvas Tintas", quanto a isso não creio que haja contestação, pois vários são os motivos que lhe propiciaram essa fama. Utilizada na região de Bordeaux desde o século XVIII, é geralmente "cortada" com as cepas Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot. Esta fórmula bordalesa garante a obtenção de vinhos complexos e bem estruturados, possibilitando o aumento ou a diminuição ora de uma, ora de outra cepa para se obter o perfeito equilíbrio do vinho, o que não é possível fazer com os tintos da Borgonha, por exemplo, feitos com 100% de Pinot Noir.

                                         
É uma cepa que " viaja" muito bem, sendo encontrada nas mais diversas regiões produtoras do mundo graças à sua adaptabilidade e nível de qualidade, quer em vinhos com 100% dessa cepa, quer com os cortes mais variados.                                                                                      

 
Assim, na Austrália e na Provence, ela mescla-se com a Syrah, na Toscana com a Sangiovese e na África do Sul com a Merlot, Cabernet Franc e Pinotage.


Na Califórnia, vamos encontrá-la das duas formas, mas os melhores vinhos são os produzidos com 100% da cepa ou quase isso. A partir de 1970, os californianos começaram a utilizar o corte bordalês, com pequenas porções de Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot. Entretanto, muitos estão voltando à composição com maiores quantidades de Cabernet Sauvignon por acharem que o blended não chegou a melhorar a qualidade do vinho.

 
As características de uma Cabernet Sauvignon bem vinificada são as seguintes: vinhos intensos e ricos em aromas e sabores, lembrando groselha, ameixa preta, cereja e especiarias. Podem ser marcados por aromas vegetais, de oliva, menta, tabaco, cedro e anis. Também são freqüentes os aromas de geléia madura. Pode ser muito tânico se assim desejar o vinificador.

Vale ainda dizer que os melhores são de cor púrpura escura quando jovens, com acidez firme, encorpados, com grande intensidade de aromas e sabores concentrados e taninos bem presentes.

A Cabernet Sauvignon tem grande afinidade com a madeira e normalmente passa de 15 a 30 meses em barricas novas ou usadas de carvalho francês ou americano, o que lhe empresta aromas de madeira, cedro tostado e baunilha, enquanto o oxida levemente, atenuando seus taninos.

 

Carmenère

 

Carménère é uma casta de uva, originalmente da região do Médoc (Bordéus, França), onde era usada para a produção de vinhos tintos intensos e ocasionalmente para mistura de modo semelhante à casta Petit Verdot. Os cachos dessa cepa possuem frutos que variam entre os tamanhos pequeno e médio e cores que tendem ao preto azulado. Na Europa, as videiras desta variedade foram dizimadas por uma praga e substituídas por outras castas mais resistentes. Atualmente, é exclusiva do Chile.

A casta Carménère foi uma das mais amplamente cultivadas em inícios do século XIX no Médoc e Graves. Na década de 1860 as videiras européias desta variedade foram dizimadas pela filoxera, um insecto diminuto que afecta as folhas e a raiz sugando a seiva das plantas, e substituídas por outras castas menos sensíveis, como a Merlot.

 

Julgada extinta, foi redescoberta em 1994 no Chile por um ampelógrafo francês, chamado Jean-Michel Boursiquot, que notou que algumas cepas de Merlot demoravam a maturar. Os resultados de estudos realizados concluíram que se tratava na realidade da antiga variedade de Bordeaux Carménère, cultivada inadvertidamente, misturada com pés de Merlot.

Levada por engano aos vales vinícolas chilenos, a Carménère se adaptou ao clima agradável e aos solos férteis obtendo êxito ao ponto de ser considerada uma das uvas mais importante do Chile por sua qualidade e sabor excepcional. É no Vale do Colchagua que há o seu maior cultivo, que se mantém restrito ao Chile devido à fragilidade da cepa, que sobrevive graças ao bom clima e solo, mas sobretudo, ao isolamento físico e geográfico criado por barreiras naturais como o Oceano Pacífico, o Deserto do Atacama, a Cordilheira dos Andes e as águas frias do provenientes do Pólo Sul, que protegem essa região de pragas.

 

Os vinhos produzidos a partir da cepa Carménère possuem cor vermelha lilás, bastante profunda, aromas de frutas vermelhas, terra umidade e especiarias com notas vegetais que vão se suavizando na medida em que a uva amadurece na própria planta.

O Carménère distingue-se por uma cor vermelha profunda, aroma com notas de frutos vermelhos e especiarias. Os taninos são mais amigáveis e suaves que os do Cabernet Sauvignon. Notas vegetais tornam-no porém menos elegante que um Merlot. Faz um vinho de corpo médio, fácil de beber e que deve beber-se jovem, quando apresenta sabor persistente que tente ao gosto de framboesa madura e beterraba doce.

 

 

Malbec

 

Esta varietal, que no passado era comum em Bordeaux, hoje muito rara por lá, encontrou condições perfeitas para seu desenvolvimento na Argentina. Faz vinhos de corpo médio, escuros, sabor frutado e aroma com toques de chocolate.

A uva Malbec é a videira emblemática de Argentina, onde levou a meados do século XIX ao francês Miguel Aime Pouget. Em sua Bordeaux natal, esquecida, a uma pequena zona onde se elaboram vinhos, conhecidos como os “vinhos negros de Cahors”, mas é na Argentina, especialmente em Mendoza, onde achou seu lugar no mundo, adquirindo vigor e criando sua própria personalidade. Ante esta realidade, os argentinos rapidamente converteram a uva Malbec como porta-estandarte, e com ela se abriram portas com uma solida reputação no mercado mundial.

Um vigoroso Malbec acompanhado a legendários churrascos argentinos chega tão perto da perfeição como pode ser possível, que alguns argentinos prefiram acompanhar o churrasco com Cabernet, deixando ao Malbec fora do habito comum. Mas como aperitivo o prato forte, esta uva pequena e densa se produz em solos argentinos e com boa mão, um vinho ‘frutal’, com estrutura e taninos meios, que se aprecia. É o tipo de videira emblemático de este país.

 

 

Merlot

 

Merlot é uma casta de uva, fruto da Vitis vinifera. É uma das responsáveis pelas características dos vinhos tintos de Saint Émillion, região de Bordeaux, França, sendo utilizada para a elaboração de vinho tinto para ser consumido jovem.

O Vinho Merlot é encorpado, intensamente frutado, complexo, uma harmônica estrutura com perfeito equilíbrio. Apresenta uma cor vermelho-púrpura, seus aromas são densos e frutados, tendo uma boa evolução, deixando assim seu aroma com muita complexidade. O paladar é rico, macio, perfeitamente equilibrado, sedoso e de grande classe.

Foi a uva tinta de maior sucesso nos anos 90. Embora usada principalmente para corte nos grandes vinhos de Bordeaux, ela também faz carreira solo. Em St.-Émilion e Pomerol, em especial, produz vinhos notáveis, cujo exemplar mais famoso é o Château Petrus, feito quase exclusivamente com Merlot. No Novo Mundo, marca presença na Califórnia, no Chile e na Austrália.

A uva Merlot, em geral, produz vinhos menos ácidos e menos tânicos do que a Cabernet Sauvignon, mas, como ela, também se beneficia do tratamento em carvalho. Com um potencial de envelhecimento de moderado a bom, pode ficar mais suave com a idade, mas com freqüência os aromas de fruta decaem e os herbáceos dominam.

Aromas e sabores: frutas vermelhas escuras – amoras pretas e ameixas pretas. Para olfatos mais afiados, surgem também aromas de rosas e bolo de frutas. Quando tratado em tonéis de carvalho, o vinho apresenta uma textura mais rica e um agradável toque de chocolate.

Ficou famoso no filme Sideways, pela repulsa do protagonista de tomá-lo em um jantar. Após o filme, as vendas da variedade despencaram nos EUA.

 

 

Syrah

 

A Syrah se destaca como uma das grandes uvas que chegaram aos nossos dias. É notável a qualidade dos vinhos que com ela se elabora tanto no sul da França quanto em outras regiões do mundo, notadamente na Austrália, onde se adaptou maravilhosamente e ganhou o nome de Shiraz.

A origem desta uva tinta majestosa, capaz de produzir vinhos longevos e de grande qualidade, é bastante controversa. Alguns acreditavam que sua origem era siciliana, tendo emprestado seu nome da cidade de Siracusa.

 
Mais recentemente duas hipóteses disputam a maioria de seus adeptos. Há os que acreditam que esta cepa tenha sido trazida por cavaleiros cruzados da antiga Pérsia (hoje Irã) para o sul da França, seu nome se originando da cidade de Shiraz, termo utilizado hoje pelos australianos para designar a uva.


A hipótese que vem ganhando maior corpo é a de que se trata de uma uva autóctone do Ródano, descendente da vitis allobrogica, produzindo vinhos finos na região desde os tempos da dominação romana, como menciona o próprio Plínio em suas obras.

 

Uva tinta majestosa, que envelhece até por meio século, ela reina absoluta na região mais setentrional do Rhône. Os crus mais reputados elaborados com ela são o Côte-Rotie, Saint-Joseph, Hermitage, Crozes-Hermitage, Cornas e Saint-Péray.


Ela entra também na elaboração dos vinhos do sul do Rhône, mas cortada com a Grenache (principal tinta da região), a Mourvèdre, a Marsanne e a Cinsault. Portanto, presente nos Châteauneuf-du-Pape e Gigondas, dentre outras denominações regionais.


Muito bem adaptada aos climas quentes, como o mencionado sul da França, teve uma excelente adaptação em terras australianas, para onde foi levada em 1832 por James Busby . Ali foi usada durante muito tempo para cortes triviais, mas houve um sensível aumento na produção de vinhos de alta qualidade, especialmente de antigas vinhas em Barossa Valley.

Hoje com ela se produz os mais notáveis vinhos da Austrália, como o legendário Grange (ex Hermitage), da Penfolds.

 
É curioso que esta uva só tenha ganho o resto do mundo após 1970, sendo notável também seu aumento de plantio fora da região do Rhône, na própria França, notadamente no Languedoc-Roussillon, e também em outras regiões da Austrália, como Hunter Valley (New South Wales), Padthaway e Victoria.

 
Outros países têm cedido espaço para o plantio desta uva excepcional com ótimos resultados, como a Itália, África do Sul (onde é denominada Shiraz) e Argentina. Nos Estados Unidos, a Syrah está vivendo um acréscimo de qualidade, o que lhe confere o apelo dos primeiros tempos da Pinot Noir, da Zinfandel e da Merlot, podendo também se mostrar mais fácil de ser cultivada e vinificada do que as outras tintas, à exceção da Cabernet Sauvignon.

 
Crescendo bem em inúmeras áreas, produz vinhos complexos e distintos, escuros, alcoólicos e com aromas e sabores de especiarias. Apesar da boa presença de taninos -- o que lhe dá boa capacidade de envelhecimento -- são vinhos podem ser bebidos com grande prazer desde a juventude graças à rotundidade e doçura destes taninos.

 
Aromas e sabores mais presentes: especiarias (pimenta-do-reino preta), frutas escuras maduras (framboesa negra, groselha negra, amora), alcaçuz, couro, caça e alcatrão, além dos "empireumáticos" (tostado e defumado). Além desses, são mencionados aromas de gengibre e chocolate, notas florais (violeta) e, em algumas regiões da Austrália, um toque discreto de hortelã.

Apesar de idênticas no aspecto vitivinícola, resultam diferentes no sabor devido à diferenças de terroirs e vinificação. A australiana é mais doce e madura, sugerindo chocolate; a francesa dá um vinho mais sabendo a pimenta e especiarias.

 

 

Pinot Noir


Considerada a grande uva da Borgonha, a Pinot Noir é uma variedade extremamente delicada, que sofre profundamente com as mudanças ambientais, como alternâncias de frio e calor, e é notoriamente complicada para trabalhar depois de colhida, já que sua casca se rompe facilmente, liberando o suco da fruta.


A ênfase recai tanto sobre a vantagem de plantá-la em climas frios como em fazer uma rigorosa seleção clonal, pois os plantios do clone errado em locais inadequados resultam em vinhos insípidos.


Mesmo depois da fermentação, o vinho feito com a Pinot Noir é de difícil avaliação fora do barril e, mesmo na garrafa, muitas vezes varia, apresentando-se fraco num dia e exuberante no outro.

Em geral, os vinhos Pinot Noir atingem a maturidade em 8 a 10 anos, declinando pouco tempo depois.

Além de ser a uva clássica da Borgonha, ela também tem seu papel na Champagne, onde é prensada imediatamente depois de colhida a fim de produzir suco branco. A Pinot Noir é praticamente a única tinta cultivada na Alsácia. Na Califórnia, os vinhos Pinot Noir se destacaram no fim dos anos 80 e início dos 90, e parecem ter possibilidade de progredir futuramente. Para melhorar substancialmente a qualidade, é preciso não vinificar a Pinot Noir como se fosse Cabernet, deve-se plantar os vinhedos em climas mais frios e não se esquecer de que a produção deve ser pequena e controlada.


Aromas e sabores: Quando jovem, frutas vermelhas (framboesas, morangos e cerejas). Na Borgonha, notas florais (violeta), enquanto na Califórnia e na Austrália, surge o café torrado (aromas "empireumáticos").

 
Maduro, principalmente na Borgonha, lembra caça, couro, alcaçuz, trufas negras, estábulo e o "sous-bois", misto de terra úmida, cogumelos e folhas em decomposição.

 

 

Grenache

Considerada a segunda uva mais extensamente cultivada no mundo, em diferentes colorações, a Grenache espalha-se pelo Sul da França (Rhône), sendo a principal uva que entra na composição do Châteauneuf-du-Pape e dos Côtes du Rhône. Sozinha, é responsável pelos rosés de Tavel e Lirac, e é também usada no vinho de sobremesa tinto Banyuls (compatibilização ideal com chocolate).


Na Espanha, onde seu cultivo é intenso, é conhecida como Garnacha Tinta, especialmente notável em Rioja e Priorato.

 
Na Austrália, é usada para a produção de vinhos baratos; mas, em Barossa Valley alguns produtores estão fazendo vinhos similares ao Châteauneuf-du-Pape.


Resistente ao calor e a aridez, a Grenache produz vinhos de corpo médio, frutados, com aromas de especiarias (pimenta), frutas vermelhas (framboesas) e ervas. No Châteauneuf-du-Pape, é normal a presença do aroma de óleo de linhaça.


Há também a Grenache Blanc, conhecida na Espanha como Garnacha Blanca, que é engarrafada no Sul do Rhône.

 

Nebbiolo

Também conhecida como Spanna, Inferno e Grumello, é nativa do Piemonte e está praticamente confinada a essa região do Norte da Itália, onde é responsável pelos seus mais finos e longevos vinhos, Barolo e Barbaresco.


De casca espessa, na Itália costuma produzir vinhos escuros, secos, grandiosos, com muita acidez e taninos exuberantes.

 
Sem ter tido sucesso em outras regiões vinícolas do mundo, a Nebbiolo agora tem uma pequena base na Califórnia, mas os vinhos produzidos lá, até o momento, são leves e simples, não lembrando em nada os italianos.

 
Aromas e sabores: alcatrão, alcaçuz, violetas, rosas, ameixas secas, bolo de frutas e chocolate amargo.


Sangiovese

Cultivada em quase toda a região central da Itália, o seu ponto alto concentra-se na Toscana, onde é a única uva que entra na produção do Brunello de Montalcino, além de ser a base, na composição com outras uvas (em geral a Canaiolo e a Mamolo), dos Chianti, Vino Nobile di Montepulciano. A Sangiovese, em associação com a Cabernet Sauvignon, é responsável pela grande maioria dos supertoscanos.

 
De corpo médio a encorpado, os melhores vinhos produzidos com a Sangiovese são secos, levemente picantes.


Aromas e sabores: cereja, framboesas, especiarias, tabaco, anis ou erva-doce.

 

 

UVAS BRANCAS

 
Chardonnay

Conhecida como a "Rainha das Uvas Brancas" por proporcionar vinhos complexos, ricos e bem estruturados. Além disso, é bastante versátil, adaptando-se muito bem às várias regiões vinícolas do mundo todo. Por esses e outros motivos, é tida como a contrapartida branca de outra soberana, a tinta bordalesa Cabernet Sauvignon.

 
Sua origem é obscura. Por muito tempo julgou-se ser ela uma mutação da Pinot Noir, chegando a ser chamada de Pinot Chardonnay. Outros acreditavam que fora trazida do Oriente Médio pelos cruzados. Atualmente, ampelógrafos de grande prestígio, como Galet, afirmam que ela é uma varietal original.


Na sua terra natal, a Borgonha, produz os melhores e mais finos vinhos brancos do mundo, como o Montrachet, o Mersault, o Poully-Fuissé, e também o Chablis. Na Champagne, é a Chardonnay a base do célebre e personalíssimo espumante que leva o nome da região, na maior parte das vezes feito com corte das uvas Pinot Noir e Pinot Meunier, podendo também ser vinificada isoladamente. Hoje está disseminada por quase todas as regiões vinícolas do mundo, com destaque para a Austrália , Califórnia, América do Sul e Itália como produtoras de bons Chardonnays.

 
A uva Chardonnay é pequena, redonda, ambarina e transparente ao amadurecer.Transformada em vinho, é o branco que melhor se beneficia do envelhecimento em carvalho e da fermentação em barrica. O vinho feito com essa cepa é pleno, amanteigado, frutado e, quando a vinificação inclui tratamento em tonéis de carvalho, ele terá um aroma de baunilha, além de ser macio e não apresentar acidez agressiva.


Aromas e sabores: maçã, pêra, frutas cítricas, melão, pêssego, abacaxi, manteiga, cera, mel, "balas toffee" ou "butterscotch" (espécie de caramelo feito com açúcar e manteiga ou xarope de milho), baunilha, especiarias diversas, lã molhada (na Borgonha) e minerais (Chablis).


Sauvignon Blanc


Os vinhos brancos secos mais famosos são feitos com essa uva, que, ao que parece, tem suas origens em Bordeaux. Vinificada com ou sem tratamento em tonéis de carvalho, produz vinhos muito diferenciados.


Bastante secos e marcados por sua acidez, os vinhos feitos com essa cepa têm personalidade forte.

Em combinação com outras uvas, a Sauvignon Blanc está presente nos brancos por toda a região de Bordeaux, em Pessac-Léognan, Graves e Médoc; aparece também nos Sauternes.

 
A Nova Zelândia conseguiu um extraordinário sucesso com essa uva, produzindo um estilo próprio de vinho, frutado e perfumado, que se espalhou pelos Estados Unidos e, então, chegou de volta à França.


Vivo e refrescante, o vinho feito com a Sauvignon Blanc vai bem com a comida, sua produção é maior e mais barata do que a do Chardonnay e ele é vendido a um preço inferior, mas mesmo os seus melhores representantes não alcançam a riqueza e a complexidade do Chardonnay.

Aromas e sabores: herbáceos, como grama cortada, folhas de groselha, aspargo em lata, groselhas brancas (gooseberry), são os mais comumente encontrados, além dos eventualmente detectados, como almíscar, feijões verdes e urtiga.


A fruta produzida no Vale do Loire muitas vezes garante a presença de aromas minerais.


Riesling

A Riesling Renana, a verdadeira Riesling germânica, tem também uma personalidade marcante e uma acidez bastante elevada, apresentando-se melhor sem o tratamento em carvalho. Mais adaptável do que a Sauvignon, é plantada tanto no clima frio da Alemanha e da Alsácia quanto no calor da Austrália. Sujeita ao ataque do fungo Botrytis cinerea que produz a "podridão nobre", a Riesling pode resultar em vinhos ricos e doces. Como a Chardonnay, os vinhos feitos com ela também têm o potencial de envelhecimento longo, originando vinhos de grande complexidade.

 
O vinho produzido com Riesling, qualquer que seja sua origem ou idade, seja ele seco ou doce, é sempre frutado, seu equilíbrio sendo garantido por uma vívida acidez.


Aromas e sabores: petróleo/querosene, tostado, notas minerais, aromas florais (Mosel), mel (vinhos doces), maçãs verdes crocantes, maçãs cozidas com especiarias, marmelo, laranja, lima (Austrália) e maracujá (Austrália).



Chenin Blanc


Talvez a uva mais versátil do mundo, ela é nativa de Pineau de la Loire, dela se produzindo vinhos brancos doces de grande longevidade. Como as condições no Loire variam, nos anos favoráveis da Chenin Blanc se extraem vinhos doces magníficos, com toques de mel equilibrados pela acidez harmoniosa. As safras menos beneficiadas pelo clima dão lugar a vinhos mais leves, com menos concentração e, muitas vezes, secos ou meio-doces. Na África do Sul (onde é conhecida como Steen), os vinhos dessa uva são simples, suaves, ácidos e frutados, enquanto na Nova Zelândia os vinhos são secos e se tornam cada vez mais interessantes.

Aromas e sabores: maçãs verdes, damascos, nozes, avelãs, amêndoas, mel e marzipan.


Gewürztraminer

Dessa uva é produzida uma variedade de vinhos que vai dos completamente secos, que acompanham pratos condimentados, aos doces, de sobremesa, feitos com uvas colhidas tardiamente – todos muito elegantes, destacando-se a parte aromática que é marcante. A melhor Gewürztraminer é a produzida na Alsácia, França; depois a da região de Pfalz, na Alemanha. Em outras regiões do globo onde é plantada ela se apresenta descaracterizada.


Com perfume floral bem definido, o vinho dessa uva é bastante encorpado, possui elevado teor alcoólico, é portanto untuoso e tem baixa acidez.


Aromas e sabores: especiarias (gengibre e canela), creme Nívea e lichias.

 

Sémillon

Sozinha ou acompanhada, produz um vinho que envelhece bem. Com a Sauvignon Blanc, é a base dos Sauternes e da maioria dos grandes vinhos secos de Graves e Pessac-Léognan, todos muito ricos e lembrando mel. A Sémillon é uma das uvas suscetíveis ao ataque da Botrytis cinerea, daí sua utilização na produção de vinhos doces.

 
Na Austrália, é empregada sozinha para produzir um vinho branco seco e encorpado. Na África do Sul já teve um papel importante, mas teve um declínio expressivo nos últimos anos. É bastante plantada no Chile.


Aromas e sabores: variam com as combinações com outras uvas, mas podemos dizer que os mais comuns são: grama, cítricos, lanolina, mel e torradas.

 

 

 

Principais variedades tintas e brancas da Vitis vinifera e as regiões onde são produzidas.

Variedade

Tipo

Região

 

 

 

Aligoté

B

França (Borgonha), Rússia

Alvarinho

B

Portugal (Vinhos Verdes)

Barbera

T

Itália (Piemonte), Califórnia

Bonarda

T

Itália (Piemonte, Emilia-Romagna)

Cabernet Franc

T

França (Bordeaux: St. Émilion, Loire)

Cabernet Sauvignon

T

França, (Bordeaux, Médoc, Graves), Califórnia, Chile, Austrália, África do Sul e outras regiões.

Canaiolo

T

Itália (Toscana)

Carignan

T

França (Côtes du Rhône, Provence, Languedoc), Espanha, Itália, Califórnia

Carmenère

T

França (Bordeaux), Chile

Chardonnay

B

França (Borgonha, Champagne), Califórnia, Chile, Austrália, Nova Zelândia

Chasselas (Fendant)

B

França (Alsácia, Loire), Alemanha (Baden), Suíça

Chenin Blanc (Steen)

B

França (Loire), Califórnia, África do Sul

Gamay

T

França (Beaujolais)

Gewürztraminer

B

França (Alsácia), Alemanha, Itália (Norte), Califórnia

Grenache (Alicante, Garnacha, Cannonau)

T

França (Côtes du Rhône, Provence, Languedoc), Sardenha, Espanha (Rioja), Portugal, Califórnia

Grignolino

T

Itália (Piemonte)

Lambrusco

T

Itália (Emilia-Romagna)

Malbec (Côt)

T

França (Cahors), Argentina, Chile

Malvasia (Malmsey)

B

Mediterrâneo, Ilha da Madeira

Merlot

T

França (Bordeaux: Pomerol, St-Émilion), Itália (Norte)

Müller Thurgau

B

Alemanha

Muscadelle

B

França (Bordeaux)

Muscat

B

Mediterrâneo, França, Espanha, Austrália

Nebbiolo

T

Itália (Piemonte, Lombardia)

Palomino

B

Espanha (Jerez)

Petit Verdot

T

França (Bordeaux)

Petite Syrah

T

França, Califórnia

Pinot Blanc

B

França (Borgonha, Champagne, Alsácia), Alemanha, Itália (Norte), Califórnia, Chile

Pinot Noir

T

França (Borgonha, Champagne), Alemanha, Califórnia, Chile

Riesling itálico

B

Itália (Norte), Europa Oriental

Riesling renano

B

Alemanha, França (Alsácia), Áustria, Califórnia, Chile

Sangiovese (Sangioveto)

T

Itália (Toscana, Emilia-Romagna)

Sauvignon Blanc

B

França (Bordeaux: Loire), Califórnia, Chile, Nova Zelândia

Sémillon

B

França (Bordeaux: Sauternes), Califórnia, Chile, Austrália

Syrah (Shiraz)

T

França (Rhône, Provence, Languedoc), África do Sul, Austrália

Silvaner

B

Alemanha, França (Alsácia), Itália (Norte), Califórnia

Tempranillo

T

Espanha (Rioja), Portugal

Touriga Nacional

T

Portugal (Douro e Dão)

Touriga Francesa

T

Portugal (Douro)

Trebbiano (Ugni blanc, St. Émilion)

B

Itália (Toscana, Emilia-Romagna, Vêneto, Lombardia), França (Cognac, Provence)

Vernaccia

B

Itália (Ligúria, Marches, Toscana, Sardenha)

Zinfandel

T

Califórnia

 

Fonte: Wikipédia e Winexperts

 

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